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Review

“Quem toma conta da paisagem?” Esta é uma pergunta que basicamente nós não fazemos. Embora a sociedade contemporânea esteja envolta em problemas ambientais, nós não nos damos conta, cotidianamente, que a paisagem não é um conceito neutro. Para além disto, também não ponderamos que as paisagens são passíveis de tutela, preservação, tombamento e que sobre elas ainda incidem outras práticas da seara patrimonial. O historiador Felipe Bueno Crispim apresenta, neste livro, esta discussão. Analisando em perspectiva histórica como se constituiu a ideia de uma paisagem passível de preservação no Estado de São Paulo (a qual foi disputada por arquitetos, planejadores, botânicos, geógrafos, ecólogos, arqueólogos etc), o autor mostra como paralelamente à emergência de um discurso sobre a “perda vegetal”, surgiram argumentações muito refinadas sobre a temática da paisagem. Nesta obra, então, Felipe Crispim analisa, a partir da ação do Condephaat os impasses pelo lugar da paisagem e da Geografia naquela instituição e, consequentemente, no Estado de São Paulo. Felipe Bueno Crispim ainda incorporou o outro lado do “balcão” da atividade preservacionista: as repercussões deste assunto na sociedade. Explorando matérias de jornal, ele mostra as polêmicas e os silêncios da imprensa sobre a temática, a qual, curiosamente, também só agora começa a ser vista pelos olhos do historiador do patrimônio. E, nesta visada histórica, este livro se torna uma das lupas principais, capaz de inspirar estudos análogos e fomentar o aparecimento de cuidadores da paisagem em nossa sociedade.  

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